Poluição: vereadores buscam apoio para melhorar qualidade do ar
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26 de agosto de 2011
Santa Gertrudes é uma as cidades mais poluídas do Estado por emissão de partículas na atmosfera, de acordo com lista da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), e os principais fatores apontados são o transporte de matéria-prima que abastece as indústrias, a poeira das estradas de terra por onde trafegam os caminhões e a atividade industrial. O problema também é visível nos postos de saúde devido a problemas respiratórios, principalmente em época de estiagem, quando os postos de saúde e hospital da cidade ficam lotados a espera de inalação. Atendendo a inúmeras solicitações de moradores, o problema vem sendo alertado pela Câmara de Vereadores que tem solicitado ações para sanar o grave problema. O presidente da Casa, José Luís Vieira (PMDB), reuniu vereadores, governo municipal, Cetesb e as entidades que representam as indústrias cerâmicas e sua cadeia produtiva, a Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento e o Sindicato das Indústrias da Construção, do Mobiliário e de Cerâmicas de Santa Gertrudes (sindicato patronal), dia 24, no plenário da Câmara, para debater o assunto. Vieira abriu a reunião afirmando que a busca de solução para o problema da poluição na cidade tem que ser uma ação conjunta. “Precisamos unir o Legislativo, Executivo, a Agência Ambiental que tem poder instrutor e fiscalizador, as indústrias cerâmicas e sua cadeia produtiva. Só assim, cada um fazendo sua parte, teremos força para diminuir os índices de emissão de partículas na atmosfera”. O prefeito João Carlos Vitte disse que a Prefeitura está trabalhando. “Estamos visitando todas as cerâmicas conscientizando sobre a necessidade de disciplinar o trânsito de caminhões”. Este trabalho vem sendo realizado pelo assessor do Prefeito, Erlon Thiele, que lembra que a atividade cerâmica é forte em toda região, mas no caso de Santa Gertrudes “a situação é mais específica porque as indústrias estão no perímetro urbano e a cidade não aguenta mais o tráfego pesado”. Representando a Aspacer e o Sincer, Luís Fernando Quilici, afirma que as entidades “compreendem a existência do problema e trabalha coletivamente para resolver”, lembrando que “uma ação isolada não resolve, é preciso ser ação regional. A cana de açúcar também contribui com a emissão de material particulado e é preciso atrair os agricultores para este trabalho”. Almir Guilherme, diretor executivo das entidades, conta que verificou pessoalmente o problema de excessos nos caminhões de transporte de argila transitando com quantidades acima do limite. “Falta fiscalização, é preciso pegar onde dói”. A Cetesb vem monitorando a qualidade do ar em Santa Gertrudes e, segundo Kátia Fiano Loureiro, gerente da Agência Piracicaba, a quantidade de material particulado está acima do padrão de qualidade e vem em ritmo crescente. “A atividade industrial leva ao crescimento pela tendência industrial. Em 2010, do total de medições realizadas, quatro ultrapassaram o limite tolerável, com saturação severa”. Kátia explica que o monitoramento é realizado durante 24 horas, a cada seis dias e que a Cetesb está trazendo um novo equipamento para medições diárias. As indústrias cerâmicas do estado de São Paulo são equipadas com filtros que regulam a emissão de fluoreto na atmosfera, desde 2005. “Antes dos filtros os índices de poluição eram maiores. Com o desenvolvimento industrial é necessário outro tipo de monitoramento de emissão de flúor”, diz. A gerente da Cetesb Piracicaba conta que o diagnóstico elaborado pela Agência identifica os poluentes oriundos de várias atividades, no caso de Santa Gertrudes da atividade extrativa de argila, do pátio de secagem e, o transporte que, quase totalidade, é realizado por vias não pavimentadas, é um ponto a ser atacado. “A atividade industrial querer a secagem da argila, os pátios deverão seguir normas rígidas , a mais de 10 quilômetros da cidade”. Vitte enfatiza que “as fábricas precisam ter mais consciência, cobrir a carga para o transporte e seguir as quantidades máximas exigidas. Não queremos chegar ao ponto de atrapalhar o setor produtivo, mas é preciso que eles (os empresários) tratem o assunto com mais responsabilidade”. O Prefeito conta que em várias cidades onde visita, as pessoas comentam a situação do ar na cidade. “Será que é preciso chegar a atitudes extremas? Tá ficando insustentável”, desabafa. Sobre o asfaltamento das estradas vicinais por onde são transportadas as matérias-primas e escoada a produção, o Prefeito afirma que “a saída é ratear o custo do asfalto entre as prefeituras, o Governo estadual e as empresas. Falta pouco pelo tamanho do problema”. A criação do Grupo de Trabalho Cerâmica, um dos braços da Câmara Ambiental de Minerais não Metálicos, da Cetesb, vem contribuindo para a produção consciente do setor cerâmico. Os trabalhos acontecem na seda da Aspacer, reunindo representantes das indústrias cerâmicas e de mineração, das entidades representativas do setor e dos governos municipais e Estadual. José Ferreira Assis, engenheiro da Cetesb, informa que o GT vem elaborando um plano diretor que norteará a extração mineral na região. “O plano diretor será uma importante ferramenta para as prefeituras”, conta o Engenheiro. Na oportunidade, Assis convidou oficialmente o presidente da Câmara de Vereadores de Santa Gertrudes, Vieira, a indicar representante para fazer parte do GT já a partir da próxima reunião, marcada para o dia 1 de setembro, às 10 horas, na Aspacer. Antes de encerrar, José Luís lembrou algumas ações da Câmara em benefício do meio ambiente, como a criação do Cinturão Verde, projeto aprovado pela Câmara, sancionado e promulgado pelo Executivo, em 2003, que não saiu do papel. A lei 1930/2003, dispõe sobre a implantação de um cinturão verde e a recomposição das matas ciliares em todo território do município de Santa Gertrudes. Para Vieira, “preservar o meio ambiente e corrigir os erros cometidos no passado é o único caminho que nos resta e, a produção consciente é a alternativa para qualquer setor produtivo”. Participaram também da reunião os vereadores: Nivaldo Antonio da Rocha – vice-presidente da Casa (PDT), Luiz Aparecido Basso (PR), José Valter Ceregato (Dem), Valério Joaquim Gaioto (PR), Lázaro Noé da Silva (PPS), Luís Carlos Pereira Dias de Barros (Dem) e Glalson Chamon da Silva (PMDB); Osmar da Silva Júnior – secretário municipal de Meio Ambiente; Glauco Pedrassolli – diretor, Edmilson Valdanha – técnico legislativo, e Rosa Féria – secretária da Câmara. Silvia Araujo – MTB. 16.659 Assessoria de Imprensa Câmara de Vereadores de Santa Gertrudes